Poesia


Que Saudade que dá

Uma vila pequenina
Bem na serra da Mantiqueira
Fai lembrá no coração
Uma vida bem facera.

Ai que saudade que dá
Do tempo que eu era criança
E morava no cafundó
Numa Casinha de taipa
Que dava dó.

Ai que saudade que dá
De brincá na bica d'água
e escuitá a cumadre reclamá
Que não era para si moía.

Ai que saudade que dá
De quando eu ia pra escola
De trança no cabelo
E caderno no inborná.

Ai que saudade que dá
Do meu irmão de chapéu de paia,
Sapatão no pé, carça cheia de picão,
Dizeno que o mió da vida
Era vê o sor raiá
E o galo no pulero cantá.

Ai que saudade que dá
Quando eu chegava da escola
Meu cachorro vinha pulando
Tentano come o resto
Da merenda do picuá.

Ai que saudade que dá
Das noite despoi do jantá,
Numa roda cós cunhecidos
A moda de viola pode escuitá.

Ai que saudade que dá
Das cunversa no terrero
Mio assado na brasa
Tudo mundo a proseá.

Ai que saudade que dá
De oiá pra trais e vê
Qu' esse tempo não vorta mais.
Ele só veve na lembrança
De quando eu era criança.

Essa poesia é da minha filha Millena Vaz de Lima Zanesco, premiada em 3º lugar no Concurso Literário Estudantil de Socorro com o tema "Minha alma caipira" em 2008